Fim de julho de 1904
Minha cara Nora. Eu me descobri suspirando fundo esta noite enquanto caminhava e pensei numa velha canção escrita.
Há trezentos anos pelo rei Henrique VIII - um rei brutal e libidinoso. É uma canção tão terna e fresca e parece ter vindo de um coração tão simples e magoado que a estou mandando para você, esperando que lhe agrade. É estranho ver de que mares de lama os anjos fazem surgir um espírito de beleza. As palavras exprimem com muita delicadeza e musicalidade a solidão vaga e cansada que estou sentindo. É uma canção escrita para alaúde.
James A. Joyce
CANÇÃO (para música)
Meu coração tanto chora
que se me amargura o dia
é que de meu amor vou-me embora
Adeus para sempre, alegria.
Acostumei-me a admirá-la
aninhada nos braços meus
hoje a alegria se cala
e a dor chega aos apogeus.
Se tanto voltar me será dado
(E oxalá que seja assim)
Meu coração se verá inundado
De uma alegria sem fim Henrique VIII
O vídeo-documentário “Liberdade, essa palavra” foi feito como projeto final de curso de jornalismo, na UFMG, por Marcelo Baêta, e apresentado no dia 28 de junho de 2006. E porque domingo é dia de eleição.
Acabo de esbarrar com o William Waack aqui no prédio. Eu gostava dele, mas ele usa pullover sobre os ombros! gizuis, será que ele vai no Finnegans também?
Mais uma das "saddest songs ever". Faz parte do meu playlist desta sexta-feira junto com "Lonely 1" e "Wishful Thinking", do Wilco, "Famous Blue Raincoat" e "Hallelujah", do Cohen, "People Ain't no Good", do Cave, "Oh Comely", do Neutral Milk Hotel, e "I Know It´s Over", do Smiths. Em shuffle e repeat até explodir.
E o que tem essa música de especial? Ela é absolutamente linda e tem essa passagem aqui: "take a weathervane rooster/throw rocks at his head/stop talking to the neighbors/til we all go dead". De fato, é uma dos meus trechos preferidos de todos os tempos.
Crest fallen sidekick in an old cafe
never slept with a dream before he had to go away
there's a bell in the tower
Uncle Ray bought a round
don't worry about the army
in the cold cold ground
now don't be a cry baby
when there's wood in the shed
there's a bird in the chimmney
and a stone in my bed
when the road's washed out
they pass the bottle around
and wait in the arms
of the cold cold ground
cold cold ground
there's a ribbon in the willow
and a tire swing rope
and a briar patch of berries
takin over the slope
the cat'll sleep in the mailbox
and we'll never go to town
til we bury every dream in
the cold cold ground
cold cold ground
gimme a Winchester rifle and a whole box of shells
blow the roof off the goat barn
let it roll down the hill
the piano is firewood
times square is a dream
I find we'll lay down together in the cold cold ground
cold cold ground
cold cold ground
call the cops on the Breedloves
bring a bible and a rope
and a whole box of rebel
and a bar of soap
make a pile of trunk tires
and burn 'em all down
bring a dollar with you baby
in the cold cold ground
cold cold ground
take a weathervane rooster
throw rocks at his head
stop talking to the neighbors
til we all go dead
beware of my temper
and the dog that I've found
break all the windows in the
cold cold ground
cold cold ground
Essa foi uma boa surpresa que descobri no risco. Ouça, você vai saber quem eles parecem. Daí ouça o disco todo, Chocolate and Cheese, e aí qualquer certeza que você teria sobre a banda vai pras cucuias. Aqui.
Why they wanna see my spine mommy?
Why they wanna see my spine?
It's gonna hurt again mommy
Much worse than last time
Am i gonna see god, mommy?
Am i gonna die?
It really hurts mommy!
Am i gonna die?
Smile on mighty jesus
Spinal meningitis got me down
I'm feelin' greasy mommy
Please don't let me die
Stinky vaseline mommy!
Please don't let me die
Am i gonna see god, mommy?
Am i gonna die?
It really hurts mommy!
Am i gonna die?
Smile on mighty jesus
Spinal meningitis got me down
Smile on mighty jesus
Spinal meningitis got me down
Caramba, vi numa publicidade de busão que dia 14 tem show do David Lee Roth. Gizuis, alguém quer ir comigo? :p Ok, passou. Mas se viesse o Manowar junto, ah, imperdível! hehehe
Funhouse vazia. Bizarro. 10 minutos depois, lotada, como sempre. Uma banda toca antes, sem idéia de quem são, só que são empolgadinhos demais. Pedi uma Guiness, o cara anotou o valor, mas não tinha. Então dá-lhe fazê-lo lembrar que eu estava "convertendo" o valor em Sols. Enfim, Funhouse. Mas daí veio o pequeno Bob Dylan (seria um pleonasmo isso, já que o original deve bater no meu joelho?) e a turma de Cuiabá toma conta. Certa histeria coletiva na minúscula área de show e os caras tomam conta. Eles são bons, timing correto, músicas boas - todos os meus amigos, todos os meus amigos ;) - e a mistura poser do vocalista (simpático pra cacete e no palco assume a fachada de atormentado, o que é bem, beeeem legal) com a pegada sonora do Vanguart se torna algo contagiante. Fazia muito tempo que não via algo assim em uma banda brasileira. Os caras definitivamente são os melhores - e de longe minha banda preferida. Ainda bem. Semana que vem tem mais.
Nota cômica: Paguei de marido Oscar, o famoso corno manso. Culpa da Carol, claro, que bancou o último biscoito mais crocante do pacote na Funhouse. Até desculpas por xaveco exagerado eu recebi (hehehe). Mas tem a boa vantagem, sozinha ela conseguiu quatro, QUATRO fichas da jukebox numa tacada só. Se fosse eu, levaria mais alguns rabiscos na minha comanda.
Esqueça a prepotência dos escritores nova safra paulistanos. Esqueça os Mirisolas da vida e seus asseclas. Leia isso aqui:
"A Solidão do Diabo, de Paulo Bentancur, traz 59 histórias fortes e surpreendentes nas quais as fronteiras morais são transgredidas com uma perigosa suavidade, entre o lírico e o lancinante, atingindo um raro resultado: a implacável serenidade filosófica de quem sobreviveu e não conta seus mortos".
Se lágrimas, as quais você viu e sabe que eu não estou apto a derramar, se a agitação na qual eu me separei de você, agitação esta que você deve ter percebido durante todo nosso nervoso caso de amor, não começou até que o momento de deixá-la se aproximou, se tudo o que eu tenho dito e feito e ainda estou muito pronto a dizer e fazer, não foi suficiente prova que meus reais sentimentos são e devem ser sempre para você, meu amor, eu não tenho nenhuma outra prova para oferecer.
Deus sabe que eu desejo você feliz e quando eu terminar meu relacionamento com você, ou melhor, quando você tomada de um senso de dever para com seu marido e sua mãe me abandonar, você reconhecerá a verdade daquilo que eu novamente prometo e juro: que nenhuma outra em palavra ou ação jamais tomará o seu lugar em minha afeição, que é e será mais sagrada para você até que eu não seja nada.
Eu nunca soube até aquele momento a loucura de - minha querida e mais amada amiga - eu não posso me expressar - este não é o momento para palavras - mas eu terei um orgulho, um prazer melancólico ao sofrer, o que você mesma pode quase conceber - pois você não me conhece, eu estou quase indo com com o coração pesado porque minha presença nesta noite deterá qualquer estória absurda que os acontecimentos de hoje poderiam ter levantado - você pensa agora que eu sou frio, severo e astuto - mesmo outros pensaram assim, mesmo sua mãe pensará - aquela mãe a quem devemos de fato muito sacrifício, mas muito mais de minha parte, do que ela jamais saberá ou possa imaginar.
"Promessas de não amá-la" . A! Caroline, são promessas do passado - mas atribua todas as concessões ao motivo adequado. E nunca pare de sentir tudo o que você já presenciou - e mais do que possa algum dia ser conhecido somente pelo meu próprio coração, talvez pelo seu . Possa Deus proteger, perdoar e abençoar vocês sempre e para todo o sempre.
Seu mais apaixonado
Byron
PS. Estas reprovações que dirigiram você para isto - minha queridíssima Caroline - foram não somente para sua mãe e a bondade de todas as suas relações. Existe qualquer coisa no céu ou na terra que me faria tão feliz como tê-la feito minha há algum tempo atrás? Não menos agora do que então. Mas mais do que sempre neste momento você sabe que eu com prazer desistiria de tudo aqui e tudo além do túmulo por você - e abstendo-me disto - devem meus motivos serem mal-entendidos?
Eu não me importo quem sabe disto e que uso é feito disto - é a você somente que eles devem, eu fui e sou seu livremente e completamente para obedecer, honrar, amar - e voar com você quando, onde e como você mesma poderia e pode determinar.
Curiosa esta situação. Definimos ou engolimos signos, seus significantes bestas, torcemos, escondemos detalhes na mais banal das palavras, cutucamos, provocamos, incentivamos, manipulamos, destruímos, aconchegamos. Tudo com esses minidesenhos letras que formam palavras.
Mais interessante ainda é perceber os detalhes, as mensagens cifradas existentes em cada uma das palavras digitadas (antigamente eram escritas, no?), que se relacionam diretamente com um outro texto perdido em algum lugar. De fato, quanto mais eu vejo as pessoas inteligentes se relacionando, mais eu percebo o quanto há de provocações espalhadas com sorrisinhos cínicos...
Operador da NET:
- O seu nome, por favor?
- Danilo Corci Cardoso
- Danilo Costa Cardoso
- Não. Corci
- Costa?
- CORCI
- Ah, Cossi
- CORCI, pô. C-O-R-C-I
- Ah, muito obrigado seu Corci. Nome do pai?
- Milton de Paula Cardoso
- E da mãe?
- Ilza Corci Cardoso
- Ok, Nilsa Cosme Cardoso
- Não, Ilza Corci
- Ah, Wilza Costa
- Não, diabos, Ilza Corci. I-L-Z-A C-O-R-C-I. Olha o meu sobrenome, pô. I-L-Z-A.
- Ah, ok, me desculpe.
- Difícil, hein?
- Muito obrigado senhor Danilo. Sua assinatura da tv foi efetuada com sucesso.
- Aleluia.
- Tenha uma boa tarde, senhor Danilo Costa
- CORCI, CORCI, CORCI, diabos!