Alone, in front of the expanse of black, Light from the side but faith no more, A moment to ponder before I crack, And I reach for the pain without a sore.
It eludes me, that devious and sly thought, Leaving the notion of immense disease, A smile - receiving the item that I sought, But it's a lie - I'm brought to my knees.
One, the sender, blinks and turns away, Finding solace in personal deceptions, Letting this helpless being cry and stray, Upon the brink of futile conceptions.
Once - just maybe - there had been the rose, Impish grins shining to respond in aluminum, But the heart - it feels what the mind knows, Sensing pain in edifices and a small crumb.
Falling, now, with no signs of stopping known, Occasional hints with the facade of light to see, Snapping and breaking every single bone, Yet one would see an untouched body.
Light - the purifying source of all knowledge and lies, Those Mundane objects re-attaching mortal debts, Here - no, perhaps there, light returns and deeply sighs, Streaming the curling smoke of darkened cigarettes.
Eu já falei que este foi o melhor livro de 2006? Não? Hummm, vacilo. Mas se você for aqui e ler o que o Paulo Bentancur, o autor, falou, você vai entender rapidinho. ;)
I hear an army charging upon the land,
And the thunder of horses plunging; foam about their knees:
Arrogant, in black armour,behind them stand,
Disdaining the reins, with fluttering whips, the Charioteers.
They cry into the night their battle name:
I moan in sleep when I hear afar their whirling laughter.
They cleave the gloom of dreams, a blinding flame,
Clanging, clanging upon the heart as upon an anvil.
They come shaking in triumph their long grey hair:
They come out of the sea and run shouting by the shore.
My heart, have you no wisdom thus to despair?
My love, my love, my love, why have you left me alone?
I am what I am
And what I am is who I am
I know what I know
And all I know is that I fell
If only I could walk through walls
Then maybe I would tell you who I was
Yet I am just a man still learning how to fall
Yet I am just a man still learning how to fall
Só pra variar um pouco, publico antes, aqui no blog, um trecho da entrevista que fiz com o Bentancur. Essa semana na Speculum, a matéria completinha.
Fale um pouco sobre sua trajetória literária. Como começou a vida de escritor?
Começou sem que eu mesmo percebesse. Era menino, 9, 10 anos, e já escrevia todos os dias. Quando fui ver, era tarde demais. Aos 16 já publicava em tudo que era jornal (contos, poemas, crônicas, resenhas). Demorei para lançar o primeiro livro apenas por excesso de zelo (o que nunca é demais). Mas o batismo das letras foi cedo. Ah, e minha formação, até mesmo por suas características de precocidade, foi de autodidata.
Existe algum escritor que exerce uma influência marcante no seu trabalho? Ou algum ícone não-literário?
Vários escritores me influenciaram. O segredo é saber conduzir essa influência sem que ela cale a sua própria voz de escritor. Kafka, Cortázar, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Dalton Trevisan Rubem Fonseca, Bernardo Carvalho, Paul Auster. Isso na prosa. Na crítica, Paulo Hecker Filho, David Arrigucci Jr., José Paulo Paes. Na poesia, Manuel Bandeira, Drummond, Miguel Hernández, Federico García Lorca, João Cabral de Melo Neto e, mais recentemente, Paulo Henriques Britto.
Voltando à "A Solidão do Diabo"? O Diabo realmente está só?
Sim. O Diabo é o homem, em última instância. E, mesmo pensando na metafórica figura do demônio-mor, em quem ele poderia confiar como um parceiro à altura de sua ambição e necessidades? O Diabo é um pobre-diabo...
Seus contos, mesmo que não sejam necessariamente existencialistas, parecem embebidos num existencialismo desencantado, meio "blasé", meio cínico. Você concorda com esta afirmação?
Concordo. Menos com o "blasé". O desencanto não esconde (filtra) sua amargura. E não pode existir amargura "blasé". Ela se dá ares (daí um certo cinismo), à procura de forças para resistir. Como disse Clarice Lispector, desistir de si mesmo é o único ato imoral. Meus personagens desistem de tudo menos da consciência crítica, esse crime radical, essa ação salvadora e, simultaneamente, condenadora. Meu "pós-existencialismo" repõe o "existir" como ser-tão-somente, e não como uma possibilidade de vida, o que seria um luxo. Já nem a morte assusta. Passamos desse ponto. Aí reside o escândalo.
Fear of seeing a police car pull into the drive. Fear of falling asleep at night. Fear of not falling asleep. Fear of the past rising up. Fear of the present taking flight. Fear of the telephone that rings in the dead of night. Fear of electrical storms. Fear of the cleaning woman who has a spot on her cheek! Fear of dogs I've been told won't bite. Fear of anxiety! Fear of having to identify the body of a dead friend. Fear of running out of money. Fear of having too much, though people will not believe this. Fear of psychological profiles. Fear of being late and fear of arriving before anyone else. Fear of my children's handwriting on envelopes. Fear they'll die before I do, and I'll feel guilty. Fear of having to live with my mother in her old age, and mine. Fear of confusion. Fear this day will end on an unhappy note. Fear of waking up to find you gone. Fear of not loving and fear of not loving enough. Fear that what I love will prove lethal to those I love. Fear of death. Fear of living too long. Fear of death.
1 "Joyce é o maior prosador do século XX". Semelhante afirmação está sujeita a dois tipos de contestação, extremos. Não é bem assim. Maior, em que sentido? Afinal, há Proust. Há Kafka. Thomas Mann. – Faulkner! No terreno ideológico, as objeções se multiplicam pela infinita imbecilidade que caracteriza o pensamento ideológico. – Solidão aristocrática. – Insensibilidade aos problemas reais do seu povo. – Elitismo hermético. – Intelectualismo pedante e cosmopolita. Do outro lado, cada vez mais abundantes os que objetam. Não é o maior prosador do século XX. É o maior prosador que jamais houve. – Maior que Cervantes? E Quevedo? – E Balzac? – E Stendhal? E Flaubert? – E Dostoievski?! E Tolstoi?! Em que sentido, nesse time de gigantes, Joyce vem a ser o maior? Primeiro, claro, pelo insuperável domínio dos poderes de som e sentido da língua em que escreve: a máquina material com que se expressa a alma de James Joyce só tem paralelo nos poderes sinfônicos de um Beethoven, de um Wagner, de um Stravinski (e esse domínio sobre a arte é um domínio sobre a vida). Depois, pela coerência arquitetônica única que conseguiu imprimir ao conjunto de sua obra o autor de "Dublinen-ses" (1906), "Retrato do Artista Quando Jovem" (1914), "Ulysses" (1922) e "Finnegans Wake" (1939). Os dois primeiros livros, um, uma coletânea de contos, e o outro um "romance de formação" (um Bildungsroman, como dizem os alemães, grandes cultores do gênero, que começa, no século V, com as "Confissões", de S. Agostinho), os "Dublinenses" e o "Retrato" ainda cabem dentro da estética textual do século XIX. Ulysses", porém, é puro século XX, o século das megaló-poles, das massas, do comunismo, do fascismo, o século do cinema, do rádio, da psicanálise, da bomba atômica, que encerrou a guerra, que começou no ano em que foi publicado o "Wake". Mas o "Ulysses" ainda é, apesar de tantas inovações, um ro-mance,mesmo que seja o "romance para acabar com todos os romances", do dito célebre. "Wake" já é um texto para o século XXI, prosa, poesia?, o quê? "Ulysses" foi difícil (é cada vez menos). O "Wake", cápsula do tempo, é ilegível (por enquanto).(1)
A irradiação da obra de Joyce atinge uma área imensa na prosa de ficção do século XX. Suas conquistas técnicas, como o monólogo interior, no "Ulysses", fazem, hoje, parte do repertório comum, do parque de recursos de qualquer ficcio-nista que preze seu ofício. Hoje em dia, o monólogo interior já foi incorporado até pela ficção dita comercial, de consumo de massas: em "Xogun", "best-seller" mundial,James Clavell tira um belo partido desse recurso, outrora, de vanguarda. "Ulysses"/Joyce é influência determinante na prosa mais criativa deste século. E a lista dos influenciados, clireta ou in-diretamente, impressiona pela excelência literária: Faulkner, Beckett, Virgínia Woolf, Musil ("O Homem Sem Qualidades"), Broch ("A Morte de Virgílio"), Guimarães Rosa, Carlo Emílio Gadda, Augusto Roa Bastos, Lezama Lima, Cabrera Infante, Burgess...
2 Impecável a coerência crescente da engenharia de vôo entre as quatro obras-primas de Joyce. Nos trinta anos entre os "Dublinenses" e o "Wake", sempre escreveu-se o mesmo livro, o mesmo universo sempre levado a graus cada vez mais agudos de criatividade verbal e inventiva arquitetônica. O mesmo Universo: a Irlanda, a Irlanda, a Irlanda, maldita ilha maravilhosa, duende, sempre rebelde e sempre submissa à Inglaterra, terra de bêbados e excêntricos, de hipócritas e humoristas, com toda a parda mediocridade pastosa de Du-blin, sua capital, Irlanda papista, abafada debaixo de um catolicismo retrógrado, castrador, aldeão. O mesmo Universo: vidas rotineiras, sem grandeza, sem horizontes, sem sentido. Joyce só partiu para um exílio espontâneo pela Europa (Paris, Zurich, Trieste) para melhor cultivar, à distância, sua obsessão pela Irlanda, execrada e idolatrada na própria veemência dessa execração, idéia taxa, "agenbite of inwit", memória, o único tempo possível, Os temas, os tipos, e até frases inteiras se repetem, crescendo, dos "Dublinenses" ao "Wake". Joyce nunca saiu da Irlanda. Nunca saiu de sua obra.
3 "Os Dublinenses": a Irlanda, vista do lado de fora. "Retrato do Artista" : a Irlanda, vista de dentro. "Ulysses": entrechoque entre o fora e o dentro, "monólogo interior", o Dia, a História. "Finnegans Wake": síntese dialética entre o fora e o dentro, pura linguagem, a Noite, o Sonho. Na triunfal cavalgada das valquírias dessas quatro obras-primas, "Giacomo Joyce" faz as vezes, talvez, de um filho bastardo, fruto de um prazer furtivo, de um amor clandestino, de um erro da juventude, de uma fantasia erótica. Alinha, assim, com os livros de poemas, "Chamber Music" e "Pomes Penyeach", performances líricas de uma maestria métrica e verbal extraordinária, mas apenas um pouco mais que isso, no século dos "Cantares" de Ezra Pound e do "Waste Land", de T. S. Eliot. Ou com "Exiles", a peça que Joyce quis fazer, mas o mundo do teatro nunca amou. Mas, por favor, não façamos pouco de "Giacomo Joyce". Quando o escreveu, Joyce, terminando o "Retrato" e grávido do "Ulysses", já era, visivelmente, um dos maiores escritores da Europa. Em "Giacomo Joyce", já dá pra ver o surgimento dos germes do "monólogo interior", a técnica central do "Ulysses" e uma das grandes conquistas da ficção do século XX. Joyce teria descoberto o recurso em um obscuro romance francês do século passado, "Les Lauriers Sont Coupés" (1887), de Édouard Dujardin, figura de menor importância, ligada ao movimento simbolista. Esse "monólogo interior" parece consistir, sobretudo, numa súbita (e não anunciada) passagem da terceira para a primeira pessoa no universo do discurso, uma passagem direta, sem índices do tipo, "disse consigo", "pensou", "refletiu", e outros verbos que acusam a interioridade de um emissor. A ficção clássica, realista, naturalista, repousa sobre a falácia da objetividade, fundada, lingüisticamente, na terceira pessoa, no pólo do ELE, o pólo das coisas, como se as próprias coisas falassem de si, em lugar de um narrador. É a linguagem de Deus, o narrador onisciente. O monólogo interior representa um princípio de economia narrativa. E, consequentemente, um aumento de velocidade no tempo do texto e da leitura. Alguns traços dele em "O Vermelho e o Negro", de Stendhal (1830). E em Dostoiesvski (1821-1881). O monólogo interior, de resto, representa uma espécie de carnavalização do eixo pronominal do relato. A tarde está linda. Preciso dizer a ela tudo o que sinto. Você não perde por esperar. Ela, eu, você: sem aviso, sem hierarquia, como no fluxo da vida e da consciência, onde eu, tu e ele podem ocupar o mesmo lugar no espaçotempo, sem antes nem depois. No quarto bloco de "Giacomo Joyce", a voz que diz "alguém quer falar com a senhorita" já comparece sem aviso, como numa página de "Ulysses".
4 Das circunstâncias particulares em que foi escrito, que fale Richard Ellmann.(2) Da paixão do professor maduro pela bela aluna judia italiana de Trieste. Dos destinos do manuscrito quase perdido, não fosse a solicitude de um irmão. Para nós interessa, sobretudo, encontrar o Joyce que conhecemos e aprendemos a admirar, senhor de todas as forças da língua inglesa, num momento fragmentário, em mosaico, isomórfico com a situação pessoal que Joyce vivia naquele momento. "Giacomo Joyce" é uma novela, cinematográfica, ideogrâmica, como uma peça Nô, feita de flashes, um grande poema de amor, uma vertigem vista de soslaio. Neste texto, o arquiteto de "Ulysses" ensaiou, orquestrando relâmpagos. Bem-vindo de volta à casa, Giacomo Joyce.
(1) É preciso entender, é claro, que a incompreensibilidade de uma obra é, como tudo mais, historicamente determinada: questão que sucessivas leituras irão pouco a pouco resolvendo, até criar em torno do corpo estranho certo número suficiente de constelações hermenêuticas, interpretações, diluições, sobretudo, que nos permita pisar no terreno firme da redundância, do já sabido, do "estou começando a entender". Em arte, o novo sempre se manifesta sob a modalidade do difícil.(Nota de Leminski) (2)Referência à introdução de Richard Ellmann ao livro "Giacomo Joyce". Paulo Leminski Curitiba, 5 de janeiro de 1985. Do livro "Giacomo Joyce" Editora Brasiliense, 1985
"Oi. Hoje descobri que tenho câncer. É. Bizarro, não? Mas não deixa de ser natural também. O médico, ah, ele me disse que tem duas opções. Quimio, radio e alguns medicamentos para aliviar a dor". Trecho de Black Celebration.
"Sobre a superfície do planeta que seus habitantes chamam de Terra, vive Johnny. Às nove e meia da manhã, nesse país que ele escolheu como lar, a estrela do sistema brilha forte sobre a camada atmosférica azulada". Trecho de Technique.
"Cinema é um território neutro. Tanto pode significar a partilha de amizade quanto de interesse. Optou pelo cinema, pois. Assim, tinha a vantagem de deixar a dúvida no ar. O troco foi bom – ela levara uma amiga. Quem leva uma amiga leva uma proteção". Trecho de #1 Record.
Sexta-feira tem lançamento lá no Studio SP. Mais detalhes, amanhã.